sábado, setembro 22

E o Bariri ainda pulsa...


O Pelé que você vai conhecer agora foi bom de bola, mas nunca jogou profissionalmente. Amava estar em campo, mas gerindo o espetáculo, que era o que sabia fazer de melhor. “Pelé do Bariri” era casado há 23 anos, não tinha filhos, era peladeiro, amigo, íntegro, e calado, mesmo só falado de futebol. Passou os últimos 34 anos da sua vida dedicando-se completamente ao funcionamento do Centro Esportivo do Bariri, cuidando da organização dos campeonatos, onde desde que assumiu, sempre realizou uma média de quatro competições por ano.

O nome já não desassociava mais. O “Pelé do Bariri” era quem “pulsava” aquele campo, palco de grandes histórias e de atuação de grandes jogadores do futebol piauiense, e que teve por período áureo as décadas de 70, 80 até 2008. Depois disso começou a decadência, e o Bariri passou por um abalo nos últimos anos. Poucos sabem o porquê, mas a tristeza de Pelé ao ter perdido sua mãe há dois anos foi sentida no campo e refletida em campeonatos mais “vazios”. Parecia até que o maior celeiro dos grandes craques do futebol piauiense estava fadado ao esquecimento.

Recortes antigos colecionados com carinho pelo coordenador Pelé. Imagem: Náyra Macêdo.

Mas não. Este ano o Pelé já mostrava sua recuperação emocional, e junto a do Bariri.  O campo foi cedido para o Auto Esporte treinar, e a equipe que estava há 18 anos na obscuridade renasceu direto para a final do Campeonato Piauiense Sub-18 2012, e conta com garotos que ainda prometem muito.

Trazer o Bariri “de volta” este ano parecia uma questão de vida ou morte para o coordenador. Pelé estava obstinado a realizar o seu maior sonho, que era o de “gramar” o campo. Conseguiu em vida até ver o projeto ser aprovado. Parou o funcionamento do Bariri, como se para uma pulsação aguardando pela tal obra.

A pausa foi em julho, mas como nada aconteceu de lá pra cá, o coordenador não se conteve e deu “vida” novamente ao campo. O campeonato estava rolando, era meio de semana, período de definição de tabela e de últimos ajustes do campo para receber a comunidade e todos os simpatizantes do futebol amador para mais uma rodada no sábado à tarde... Mas o Bariri teve de parar novamente. Na manhã da quarta-feira (05), Pelé foi vítima de um enfarte fulminante.

O pensamento de todos era que a vida de Pelé era o Bariri, e vice-versa. E então, o que fazer? Parar? Não! O Bariri, com seus mais 5.400 m², com suas recentes conquistas de iluminação e alambrado e terreno somou à sua história intocável o legado de Pelé, que foi sua dedicação. A de viver para algo como ele viveu. Promover uma competição como se fosse a primeira, e a última. 

Luiz Alberto da Rocha faleceu aos 56 anos. O Pelé, assim conhecido por todos, cujo apelido “conquistou” ainda na adolescência, quando nas peladas na comunidade os amigos perceberam e associaram seu jeito de cabecear a bola, sua melhor qualidade em campo, à do eterno Rei Pelé, agora acompanha lá de cima a continuação de seu legado.
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O palco dos craques

Campo do Bariri, Areião, Campinho do Pelé, Centro Esportivo do Bariri, Campo Rui Lima. Assim é conhecido um dos campos mais importantes de Teresina. Lá foram revelados muitos craques, e é onde muito outros ainda estão sendo moldados.  Como um local predestinado, ou mesmo “abençoado” para os bons de bola e peladeiros, o Bariri “é como as ondas do mar, não para nunca”, assim definido em um dos recortes de jornal colecionado por seu ex-coordenador.

Ter sido palco de grandes decisões enche de orgulho a comunidade que, religiosamente comparece para acompanhar os campeonatos, que tem a tradição de homenagear em seus troféus craques, jornalistas, apoiadores e personalidades.

Das lembranças mais vivas de quem acompanha a história do Bariri sob a gestão de Pelé estão as clássicas decisões entre Cerrajão e Bariri, sempre com recorde de público. Outro fato marcante para todos foi a decisão entre São José e CSA, a qual o dirigente do São José conhecido como Cesinha faltou à final e foi suspenso por Pelé onde ficou por dois anos sem disputar jogos no local.

Dentre os craques contemporâneos dessa gestão do coordenador Pelé, estão: Batistinha (River, Flamengo e Sport), Índio (River), Jorginho (Flamengo) e Boiadeiro (Piauí). 

E na lista do grandes jogadores que por lá passaram estão nomes como o de Sima (Piauí, Sport, River, Tiradentes, Bahia), que é anterior ao Pelé, mas que não pode deixar de ser lembrando quando o assunto é Bariri, o craque revelado lá é o único jogador brasileiro que conseguiu a façanha de ser o maior artilheiro da história de três clubes.


Dentre outros que também não podem deixar de serem citados estão o Bira (Piauí, River), Nonato Leite (Corinthians), e o homenageado que dá nome ao o campo, Rui Lima, craque que passou pelo Piauí, Marília, e Juventus de São Paulo.

Para ficar de vez na história

O feito de Pelé foi grande, e homenagear sua história de vida é a pretensão de alguns daqui pra frente. A primeira delas será a tentativa de mudança do nome do Campo Rui Lima- Bariri para Centro Esportivo Luís Alberto da Rocha- Pelé, ainda este ano. 

A taça do campeonato que estava sendo realizado quando faleceu também levará o seu nome. E a Federação de Futebol Piauí também vai nomear a taça do campeão do segundo turno da Copa Piauí 2012 de “Taça Pelé do Bariri”.

Seu “Biba”, amigo de Pelé mostrando com orgulho a história do Bariri logo ao fundo. Imagem: Náyra Macêdo.

Quem está provisoriamente a cargo de continuar o trabalho de Pelé é o seu amigo “Biba”, companheiro de pelada e de trabalho desde a década de 60. Biba, que dedica o mesmo amor ao campo está à frente da elaboração de um projeto de reforma do Bariri, que vai contar com a construção de dois vestiários, grama e alambrando, e que tem um orçamento previsto entre 200 a 300 mil reais.


E justificando as palavras de Bia, “O amor pelo Bariri não acaba. Ele não pode parar”, as atividades no Campinho do Pelé retornam nesse sábado (22), com a continuação do Campeonato Quarentões do Bariri 2012.


sexta-feira, setembro 21

O que faz o badminton piauiense prosperar tanto ?


Esse texto é a primeira e até então a única matéria “especial” que já escrevi. #OWWaindaCABAÇArelevemEraem2011Escreviaerradoprapo** O contexto era a semana da entrega dos prêmios do COB aos melhores do esporte em 2011, e o Piauí estava novamente no meio. Resolvi aprofundar mais no que, até então, se falava pouco e superficialmente. Tipo “O Badminton virou febre no Piauí. Ah, que bacana!”, e nada mais.
Esse texto não tem nem um ano, e de lá pra cá muita coisa mudou. O coordenador desse projeto premiado, hoje é o Presidente da CBBd. Daquela lista de atletas ‘promessas’ já estão os melhores do país nas suas categorias. Os “melhores profissionais” da Febapi estão comandando as seleções que representam o país. 

Não é pouco! 

O esporte que mais cresce e promete no Piauí é esse. Postei o especial porque acho massa que conheçam mais a fundo sobre esse projeto que ainda vai levar o Piauí a patamares de pódio *olímpico*. #EUACREDITO



(Náyra Macêdo para o portal Meionorte.com) 15-12-2011 10:10

Badminton do Piauí eleito como melhor projeto de responsabilidade social do Brasil
Um esporte pouco conhecido que disputou e superou mais de 50 modalidades esportivas

O Badminton chegou ao Piauí há um pouco mais de seis anos, a partir de uma ideia visionária de um ex-atleta que carrega consigo a frustração de não ter sido um competidor olímpico. Em 2005, Francisco Ferraz saiu do Paraná com o objetivo de implantar o esporte no estado, e trouxe na bagagem uma série de preconceitos e descrenças que teve de enfrentar.

No primeiro momento, a intenção era massificar o esporte para torná-lo conhecido contando apenas com o apoio do governo do estado. Em poucos anos, foi possível perceber a força desse grande projeto com engajamento social, que logo mostrou a que veio. Hoje, o projeto atende a 18 núcleos que estão implantados em toda grande Teresina, encontrados nas fundações Nossa Senhora da Paz e Valter Alencar, nas escolas Joca Vieira, Eurípedes de Aguiar, IFPI, Escolão do Mocambinho e nos bairros Parque Piauí, Santo Afonso, Esplanada e no Monte Castelo. Contemplam também as cidades do interior, como Luzilândia, Madeira, Piracuruca, e em 2012 se estenderá ao município de Parnaíba, onde atuará junto com o projeto SESI- Atleta do Futuro, que será ramificado para outras localidades do estado.


Ascensão do esporte

No ano de 2010, a Federação de Badminton Piauiense realizou o primeiro Campeonato Sul-Americano de Badminton em Teresina, onde foi possível que a população tomasse contato com esse novo esporte, que teve transmissão ao vivo durante toda a competição.

Nos últimos anos alguns atletas como a Thainara Silva, Vinicius Evangelistas, Andreza Miranda e Ismael Silva, foram responsáveis pela inserção do esporte no cenário nacional e até internacional.

 O brilho de uma película

O coordenador do projeto, Francisco Ferraz compara o Badminton a uma película, onde no começo tudo é muito simples, reduzido. Considera que hoje o esporte é um "curta-metragem", que tem impacto, e que exigiu para ser o que é: mais maturidade, formação, os melhores atores e os melhores profissionais. Algo que ele acreditava desde o começo que aconteceria.

O reconhecimento do COB

As finais dos Jogos Escolares 2011, que aconteceram em outubro deste ano foram responsáveis pela homenagem honrosa que o esporte receberá dia 19 de dezembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A participação de piauienses em todos os pódios da competição atraiu o interesse do Comitê para saber de onde eles eram, e onde treinavam.

E assim, sigilosamente, o comitê esteve no final do ano analisando o projeto, visitando os núcleos, até concluir ontem, que a merecida homenagem do Comitê Olímpico Internacional viria para o projeto de responsabilidade social do badminton piauiense.

O Piauí toma conta do cenário 

Honrosamente, o Piauí ocupa pela segunda vez o cenário das premiações do COB. Em 2009, a eleição do Melhor Atleta do Ano contou a participação da Sarah Menezes, do judô, que trouxe o troféu para o estado. E em 2011 o Piauí destaca-se novamente, agora com melhor projeto de responsabilidade social, disputado com outro como Rexona Ades, Vale, entre outros.

E isso é uma prova de que o estado é uma terra fértil e que só tende a crescer quando o assunto é esporte. Para Ferraz, o Badminton conseguiu crescer 12 anos em seis, e que esta homenagem é uma consagração de um trabalho que acreditou desde o início.

A receita que deu certo

E chega o momento de todos se perguntarem porque, em tão pouco tempo, o badminton, com apenas seis anos no estado, conseguiu chegar ao patamar que outras federações passaram mais de 20 anos para alcançar, como a de judô que revelou há pouco tempo a primeira atleta olímpica do estado.

A receita do coordenador do projeto foi tentar fazer com que o atleta chegasse aonde ele não chegou, e isso de maneira que atendesse às necessidades de todos os envolvidos e não apenas os interesses pessoais. Para ele, o Piauí tem gente de conteúdo para ser campeão mundial, e que o esporte piauiense poderia está a dez anos do que é hoje.

Uma base que vale ouro

Os nomes que se destacaram nos últimos anos saíram do projeto que é focado na base. Atletas como o Lucas Alves, que está desde o começo, hoje tem pretensões olímpicas. O projeto é voltado para atletas de até 12 anos de idade, e o coordenador explica a importância de se investir nele. 

“As crianças nessa faixa aprendem a amar, a gostar do esporte novo, e isso possibilita que elas não venham a desistir lá na frente.Dois a cada dez atletas permanecem no esporte depois de certo tempo, e a intenção é que pelo menos nove, dos 18 que estão treinando atualmente, fiquem até a categoria Sub-19 de alto rendimento".

Ferraz antecipa alguns nomes e destaca as características de cada um, considerando que em um futuro breve poucos atletas no Brasil os baterão: 

Fabrício Farias, 11 anos- Tem paixão pelo esporte, é perseverante, e tem dificuldade em perder; 
Sâmia Lima, 11 anos- Muito dedicada; 
Juliana Viana, 7anos- Talento inato, já nasceu para o esporte, é empenhada e não suporta perder; 
Sânia Lima, 9 anos- Tem muito talento.

A procura da mão certa

O esporte é o principal foco de investimentos no mundo, e no Brasil, as próximas competições internacionais atenuou o processo. Não falta exemplo de que no Piauí o esporte também dá certo. O que falta, dentre outras coisas, é uma secretária com maior desenvolvimento esportivo. 

No Piauí não era pra existir somente um Lauro Filho, uma Sarah, um Lucas Alves, um Rômulo. Era pra ter muito mais atletas no cenário nacional.

A falta de gestão, dificuldades de gerenciamentos, falta de fontes de investimentos, pouca formulação de projetos, a frágil confiabilidade no esporte, o pouco incentivo das escolas particulares e do poder público, são um dos muitos fatores que geram a errônea descrença total no esporte piauiense.