sábado, julho 28

O que o piauiense tem?




Essa inquietação já existe há muuuuito tempo, mas hoje é um dia ímpar para o esporte piauiense, e eu não posso deixar de dizer, em tom de revolta que: O Piauí tem esporte SIM!

Nesse sábado teremos QUATRO atletas disputando espaço entre os melhores do mundo. Se é só no judô e no Badminton, nem me importa seu argumento besta. Isso é um fato importantíssimo para todos nós.

Hoje, Sania Valeria Lima, de apenas 11 anos vai enfrentar os Estados Unidos. Sua irmã, de 13 anos também vai enfrentar os Estados Unidos. Fabrício Farias, também de 13 anos também  enfrentará os Estados Unidos. Observem a idade deles. A promessa...

Nas Olimpíadas, já já a "Nossa" Sarah Menezes enfrentará a Romênia pra ser definitivamente a melhor do mundo. E amanhã, o picoense Rômulo Borges enfrentará o Belarus, na maior competição esportiva do mundo.

É pouco?

... Se vc pensou no complemento ''ou quer mais?'' é simples! É só enxergar que o Piauí é uma mina de novos talentos no esporte, e um celeiro de bons atletas que precisam de apoio, onde basta  enxergá-los para estes começarem a subir os degraus das suas carreiras.

No Piauí não tem esporte? Semana passada sediamos do Campeonato Mundial de Karatê. Em Setembro vamos sediar a Taça Brasil de Futsal Sub-17. Nesse mesmo mês, o Piauí enviará representante na modalidade para o Mato Grosso do Sul e Sergipe. Enfim...

Sabe o que o piauiense tem?

Se for empresário: tem a burrice de não investir;
Se for gestor público: tem a incapacidade de não formular projetos e noção de gestão;
Se for atleta: tem o espírito de vencedor de ter de enfrentar essa ''falsa'' descrença no nosso esporte, causada por estes que não o incentiva, e gera na sociedade a desconfiança de que aqui o esporte não funciona, quando na verdade, o que não funciona vocês já entenderam.

Vamos torcer pelos nossos, que hoje é dia!!

#goSarah #goFrabricio #goSania #goSamia

sexta-feira, julho 27

Qual o sabor do próprio veneno?



Nada melhor pra desempoeirar o blog do que com uma inquietação de verdade, do tipo, sabe quando você quer dizer o que pensa, sem necessariamente dá sua opinião? - Não? Pois é. Está feita a inquietação!

Nem fiz esforço pra não escrever sobre isso, por que parece que todos querem dá sua opinião e não seria diferente logo comigo. Desde que as seleções feminina e masculina de futebol estrearam nas olimpíadas, que os comentários que mais se vem, lem, escutam, é que, por exemplo, após a Globo mostrar os lances desses jogos e creditá-los, alguns dizerem que ''Pô, Globo, você não precisa disso". "Chupa, Globo". "Globo, cadê a sua hegemonia?", e enfim, todos os outros, inclusive o de vocês que estão lendo que foram compartilhados esses dias.

A Globo está provando do próprio veneno. Nos anos 80 quem brigava pela liderança no esporte era a Band e a Record. Na década seguinte a Band passou quase quinze anos como a emissora do esporte brasileiro. A história mudou quando a Globo além de ter sido pioneira em fechar direitos de transmissão aqui, ainda fez questão de valorizá-los cada vez mais, e mais. 

Mas a emissora se focou no futebol, no show, no espetáculo, e no não-jornalismo esportivo. Tanto que perdeu o leilão da transmissão dessa olimpíada de Londres, que foi vencido pela Rede Record, mas pareceu não se importar e festejou a transmissão da Taça Libertadores da América, com toda pompa da transmissão que a própria faz.

É fácil se criticar a Record, quando você fica limitado a imaginar que você não ''coloca no 10 aqui'', mas ela é a segunda maior rede de televisão do país, e deu um show de transmissão dos jogos olímpicos de inverno de Vancouver, e dos jogos panamericanos. Fato que, no sudeste, gerou/gera uma identificação da emissora como a que fala de todos os esportes. O que contraria todos os esforços (ou não) da Rede Globo, de começar essa década como a rede somente do Futebol.

Em contrapartida a esse processo da Globo, vale destacar que o canal Sportv, que é da GloboSat, se destaca não só pela quase ‘’democracia’’ em relação às transmissões desportivas, quanto ao próprio fazer jornalístico, esse que a globo nem sabe mais o que é, quando se trata de transmissões esportivas.

A maior emissora do país, que há décadas atrás acabou até com o sistema de troca de imagens, decretando morte à concorrência, hoje precisa passar pelo constrangimento visto até na expressão dos seus próprios âncoras, de agradecer o uso de imagens a quem ela proibiu e proíbe de trabalhar.

Não existe período melhor para refletirmos sobre onde começa e onde terminam os direitos dos donos desses eventos esportivos, que não são necessariamente jornalistas, mas que limitam o acesso destes ao direito ''nosso'' constitucional à informação. 

- O que é jornalismo?o que é show? Onde acaba o negócio, onde começa o interesse de todos? Quem sabe se o ''todos'' já não é mais o país do futebol? Nem precisa pensar, não é. Não somos mais tão limitados assim. 

Não é o ideal. Não é legal dizer que você simplesmente pode não colocar na Record e assistir as olimpíadas digitais pela internet, pelo Sportv, Interativo, quando ''somos'' um país com quase 200 milhões de habitantes em que menos de cinco milhões tem acesso a essas opções.

Como também AINDA não é confortável pra nós vermos a Rede Globo, que tem a excelência de ser a segunda melhor do mundo, não tratando com toda a sua grandeza do maior espetáculo esportivo mundial.

E a maior ironia disso tudo é que mesmo as Olimpíadas de Londres 2012 sendo os jogos digitais, em que temos infinitas formas de acompanhá-lo, a sensação é de que ele está tão inacessível quanto um jogo do Palmeiras pelo Brasileirão transmitido ao vivo pela Rede Globo.