sexta-feira, janeiro 20

E o "Verdão" fica como?


Pra quem não sabe, sou ex-atleta, e comecei a jogar no Verdão em 2000. Parei de jogar lá quando todas as atividades esportivas foram praticamente extintas por falta de estrutura adequada. Em 2006 joguei meu último campeonato lá, foi lindo, na verdade, qualquer jogo no verdão emociona, até uma pelada, não sei dizer por que, mas conheço muita gente que sente o mesmo. Só fui retornar ao Verdão cinco anos depois pra fazer esse trabalho acadêmico,que vcs vão já ler e o fiz numa manhã toda engolindo o choro. Minhas colegas de quadra estavam lá e choraram, meus ex-treinadores choraram, presidentes de federações choraram, e muitos ex-atletas choraram.

Aquela edição da Olimpiauí, com aquela estrutura bem montadinha, com aquela cobertura dada ao esporte, foi um dia memorável e invejado por todos que deixaram escorrer uma lágrima ao imaginar "o quanto teria sido bom se na sua época o Verdão fosse daquele jeito..". Muitos, como eu, imaginaram algo como "agora sim, agora o esporte ganha atenção, espaço, agora vai...". Mas quase um ano depois, ao de retornar lá e vê-lo sem a maquiagem feita na e para aquele dia, só bateu a tristeza.

Aquelas goteiras, quem não conhece? Estão lá ainda!. Aquele piso inadequado? Está lá ainda!. Aqueles banheiros.. ah! aqueles banheiros, meu Senhor, com aquela água que topava no joelho..estão lá ainda!
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O texto seguinte foi um trabalho acadêmico, da disciplina jornalismo especializado em economia, fiz em meados de maio do ano passado, estão, está um pouco fora do contexto, vou postar aqui, pra vcs entenderem um pouco do que eu senti ao ver o Verdão naquele dia, lindo, e ter falado com tantas pessoas que prometem do tamanho da sua influência, e quase um ano depois ver que nada mudou, e que outra maquiagem proporcional aos mais de 6 milhões liberados para a reforma, será feita nessa próxima semana, para o jogo entre a Seleção Brasileira de Futsal e o Flamengo-PI!.
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Náyra Macêdo

Esporte gera recursos para o Estado do Piauí

Verbas visam investimentos em atletas para as Olimpíadas de 2016

Novos projetos para o desenvolvimento do esporte de base no Piauí estão sendo apresentados. O pioneiro é a primeira edição da “Olimpiauí’’, competição destinada à modalidades como o judô, tênis, vôlei, futsal, atletismo, entre outras, que contou com a participação de 2.000 atletas esse ano.

Essa iniciativa tem por objetivo formar atletas competitivos para a Olimpíada de 2016, que acontecerá no Brasil. Por ser a principal competição do mundo, com atletas de alto nível, essa busca por potencias aqui começa na hora certa. Por isso, o Piauí é considerado exemplo aos demais estados em relação ao apoio ao esporte de base.

Para acontecer essa competição não foi fácil. Falta na capital centro de treinamentos; Às equipes faltam materiais para competição, entre outros obstáculos. Graças à parceria da TV Cidade Verde com a iniciativa privada, e a organização das federações desportivas, foi possível a reforma do principal ginásio poliesportivo da capital, o “Verdão”, local que no passado foi palco de grandes apresentações esportivas e culturais.

Os investimentos no “Verdão” feitos para esse evento, segundo José Gomes, secretário de esportes do Estado, foi apenas o começo do muito que estar por vir. “Há projetos de capitalização de recursos que estão no ministério dos esportes e no BNDES, que irão equipar o ginásio com acústicas e quadras removíveis. O primeiro piso também será reformado, melhorando a infra-estrutura para as federações.”

Um exemplo de empresa genuinamente piauiense e que vêm mostrando interesse em apoiar a cultura e o esporte é o Grupo Carvalho. “O Carvalho já vem fazendo uma série de investimento no esporte através da Lei Ruanet. Tudo com o objetivo de, a pequeno prazo, levar o nome do esporte e de atletas piauienses para serem reconhecidos no mundo inteiro”, justifica Luís Botelho, diretor de marketing do grupo.

O Governo do Estado também demonstra preocupação com o futuro desses atletas, garantindo que, até 2016, muitas parcerias serão feitas. “É prioridade do Governo, estamos trabalhando a modernização do esporte no Piauí, na infra-estrutura. Os projetos para o “Verdão” é apenas um passo inicial, uma antecipação de nossa meta. O Governo mais o BNDES irão reformar o “Verdão”, e construir outras praças de esportes por zonas. Há um projeto inicial junto com o Ministro dos Esportes para trabalhar o Campus da Universidade Estadual, e outro na zona sul, no Parque Piauí. Há uma sinalização de que essa parceria vai ser eficaz”, diz Wilson Martins.

O idealizador do projeto “Olimpiauí”, Jesus Tjara, revela quais os objetivos desta iniciativa e que recursos esta e as futuras competições esportivas trarão para o Estado. “O esporte desperta o interesse do grande púbico, o que chama atenção da mídia e dos patrocinadores, o chamado Marketing Esportivo. E esse interesse da iniciativa privada tem gerado recursos necessários para o crescimento do esporte. Então, daqui até 2016 com certeza, no Brasil e no Piauí, a movimentação da economia será voltada para o esporte. A engrenagem começa a girar agora. É preciso que nós do Piauí saibamos apresentar bons projetos, boas idéias, para que tenha a receptividade e a credibilidade junto aos órgãos públicos federais, especialmente do Ministério dos Esportes. Se isso acontecer, com certeza nossa economia movimentará bastante, trazendo mais recursos para o Piauí”, conclui Jesus Tajra.

“Trabalhar o esporte, no geral, tem avaliações positivas. Quando se tem um projeto inicial como esse dando certo, o interesse dos investidores aumenta. Hoje o empresário do Estado ver que há uma organização por trás de tudo, o que é uma garantia do aproveitamento do dinheiro investido”, analisa o organizador do projeto, professor Denis Queiroz. Disse também que outros setores serão afetados com a movimentação do esporte no Piauí nos próximos anos.

Como também treinador da principal equipe de Judô, conhecido por ser o único esporte, hoje no estado, que tem representação olímpica com a atleta Sarah Menezes, aproveitou a oportunidade do evento e trouxe a seletiva Sulamericana de judô, e explica: “A seletiva Sulamericana contou com 464 pessoas inscritas, todas estão em hotéis, é dinheiro circulando, e isso é só uma mostra. Nesses cinco, seis anos, esses investimentos vão atingir desde os ambulantes aos grandes empresários e aos que estão no apoio. ’’

O professor aproveitou para falar sobre a primeira prova concreta que os investimentos serão tão eficazes assim, que é a oportunidade da capital ser sede das Olimpíadas Escolares Brasileiras, em 2012, que por ser uma competição nacional, traz todos os desafios inerentes a ela, e que hoje, um ano antes, sabe-se que a cidade não suportaria um evento de tal porte. “A Olimpíada Escolar é um desafio para a rede hoteleira, por que não temos o suficiente. Então haverá investimentos pra o Estado ter estrutura para receber essas pessoas. Os empresários estão vendo o retorno, de lucro, de mídia, associados à eventos organizados, de sucessos e a algo que é bom como o esporte, isso está atraindo sim muitos investidores”, finaliza Denis.




terça-feira, janeiro 10

O #contraoaumento que resultou no #massacrethe



Bom, como a chata que sou, costumo não dar ouvidos a quem opina sobre o que não conhece, e me seguro para não sair falando sobre o que eu não tenho um pingo de argumento. Por isso, to há dias segurando as palavras, pois não acharia justo superficializar sobre algo tão importante quanto o que está sendo o movimento #contraoaumento. Ontem e hoje consegui ir participar. Vibrei!. Queria muito poder estar lá, ver, viver, debater com quem estava fazendo esse movimento desde o começo.

Até agora estou sentindo as “sensações” por quais passei na Frei Serafim nesse dia histórico. Devo dizer que hoje foi um dia pateticamente inacreditável. Não fui pra lá a trabalho, não fui de certa forma, manifestar também. Fui por curiosidade. Fui pra ver como a galera se reunia... estava realmente ansiosa por esse dia.

Só que o que vi foi informação demais pra mim. Não estava preparada para ver tanta covardia- logo eu que não consigo ver violência nos noticiários- tive que ver a olhos nus, uma tropa de choque indo de encontro aos manifestantes que estavam, desde o início, pacificamente protestando... Até as palavras de ordem dos estudantes, hoje, foram trocadas por uma caminhada em silêncio, para no final cantarem juntos o hino deste país e desta terra, num cenário à luz de velas.

Era bonito vê-los ali. Era feio, era estranho, era incoerente ver tantos policiais ali. Era bonito ver a população batendo palmas aos manifestantes. Era mais bonito ainda ver a indignação dessa população, que pôde ver ali tudo que foi omitido pela mídia.

Era, era, era... tudo deixou de ser qualquer coisa (que vazio, eu sei!), depois que, por ordem da autoridade máxima do Estado, todos que estavam lá puderam ver e sentir, relembrar, como ouvi de muitos, o que foi a covardia, a barbaridade, a injustificada ação da polícia como um todo, nesse sétimo dia de protesto.

Eu vi uma situação calma mudar drasticamente, e como nunca tinha passado por nada parecido, me senti um ser estranho, me senti de mãos atadas. Mas elas não estavam, então as usei para pôr na cabeça e, no ato de desespero, esperar para ver as pessoas que eu tanto gosto, depois de terem sido “engolidas” por “aquilo” de bomba, de tiros, de todos os gases, de gritos, de gritos... Engoli o choro, e fui procurar os amigos. 

Estavam quase todos bem. Mas a violência vivida ali foi sentida por todos. Aquele cabelo puxado doeu em mim. Aquela bala de borracha à queima roupa, eu senti, como quem estava lá também sentiu, junto com todo aquele misto de revolta, indignação, de inquietação, de choque! -Que dia! Todos sentimos... Na verdade, sentimos muito por tudo isso ter acontecido.

Não sei bem o que é definir um dia histórico. Acho que hoje foi um, por que, numa cena que pareceu existir para pôr fim a todo o movimento, às manifestações, na verdade foi um cenário antagônico, a polícia-entidade, perdeu total respeito e credibilidade perante a população. A população agora se indigna com a mídia que mostra o que “só ela viu” (parece que a mídia esquece que seu produto é consumido pela população, e que esse, quando vem “estragado” como qualquer outro, perde seu valor). Vi uma oposição calada. 

Todo mundo sabe por que nada se diz. E todo mundo sabe onde isso se resolve. Eu espero, de verdade, que esse protesto continue, mas continue para sempre na cabeça de cada um, como uma lembrança ao intolerável. E que, a partir desse dia histórico #massacrethe, todos aprendam a usar sua melhor arma: o voto, pra que nunca mais tenhamos Elmanos, Wilsons, e empresários, e coroneis encardindo a história da nossa cidade.

Fica aqui solidariedade às famílias que estão com seus filhos detidos e aos verdadeiros guerreiros que encararam essa situação de frente, e que, de alguma forma, estão mal por isso.

Imagem: Neyla Monteiro

terça-feira, janeiro 3

Uma união que não veio para somar



Quem consegue pensar no futebol brasileiro sem lembrar das torcidas organizadas? E quem consegue lembrar das torcidas organizadas sem pensar em violência? Violência essa autointitulada nos seus próprios nomes, como a Sangue Jovem -Santos, a Máfia Azul-MG, a Ala do Terror- CE e Inferno Verde, em Brasília.

Essa “identidade” também está refletida nas reportagens esportivas , onde só o que encontramos são metáforas do esporte com o crime, que mais servem para o caderno de polícia. E com esses erros grosseiros, os jornalistas passaram a incentivar as inúmeras formas de violência, como ao chamar um jogador de matador e antecipar um “quebra pau” caso equipe x não vença, ou contrato y não seja fechado.

E, como num circulo de equívocos, a imprensa que não critica a banalização da violência no esporte, agora mostra e incentiva um “casamento” que já gera contratempos: o Futebol + o MMA. Para começar por que poucos jornalistas sabem relatar corretamente sobre os eventos de lutas e os confrontos, como esporte, e disso, temos diariamente a distorção do que é o esporte MMA para quem não conhece.

Não que eu queria aqui “prever” que depois dos contratos fechados de lutadores de renome, como o José Aldo, pelo Flamengo, e talvez o Sonnen com o Palmeiras, teremos uma avalanche de notícias desastrosas, onde não irão faltar os paralelos entre o que acontece em campo com o que rola no octógono, em que a mídia vai se deliciar com todos aqueles termos desnecessários e que empobrecem o conteúdo do jornalismo esportivo no Brasil, já ditos anteriormente.

A imprensa que noticia o “máximo” que foi o Sonnen “arrebentar” um boneco para provocar a ira da torcida adversária (no futebol), torcida essa que contabiliza inúmeros processos criminais, é a mídia que precisa mais desse espetáculo, do que do futebol, do MMA e vice-versa. E por isso não é de se estranhar os erros de abordagem e de cobertura de ambos os esportes, tão repetitivos que já estão acomodados tanto para os olhos de quem vê, como para os de quem faz.

Prefiro dizer, que em vez de um tiro no pé, isso é um gol contra o jornalismo esportivo.