Pilotar uma moto não é difícil. Assim como fazer jornalismo também não é. A dificuldade existe no contexto em que as duas ações são realizadas.
Ao me deslocar de casa para o trabalho preciso de conhecimentos simples sobre minha 'cinquentinha'. Onde ligar, frear, acelerar ou sinalizar.
Na redação também necessito de conhecimentos básicos para 'executar' o jornalismo: não me acomodar. Apurar. Escutar. Digitar. Publicar.
Mas, para exercer ambas as atividades: pilotar minha motinha e fazer jornalismo, necessito de esforços sobre-humanos. Infelizmente!
Explico.
No trânsito, as cenas mais comuns: congestionamentos, fileiras carros e as motos se entrelaçando entre eles, pois, segundo a lógica mais escutada pelos ouvidos errados: "Moto a gente tem pra isso mesmo - pra não precisar ficar parado''.
Pois eu fico. Fico e sou obrigada a me constranger por ficar. Escuto horrores. Sou motivo de piadas. A sensação é a de que incomodo bem mais aguardando no congestionamento na minha missão de não querer ser ' A espertinha' do que fazendo barbeiragem.
Meu esforço sobre-humano nas redações da vida acontece pelo mesmo motivo. Acho errado lesar o colega ao ser preguiçosa e obrigá-lo ao fazer meu trabalho. #BUUUT Um determinado colega acha que isso é boboquice minha.
Assim como é 'coisa' minha não inventar 'falas' em minhas matérias ou não publicar o que não é meu sem prévia autorização... Isso, para alguns, é ‘idealismo’, pois ‘todo mundo faz’.
Escutar isso também me constrange.
Assim como no trânsito fazer o certo é motivo de chacota, em muitos momentos, no jornalismo também é.
Evitar os atropelos 'literais' na vida também cansa bastante. Inevitavelmente, todos os dias, alguém tenta de forma inexplicável pôr fim à minha vida por motivo de: eu ser uma motociclista.
Eu sei. Também acho difícil de entender essa lógica. Mas faço minha parte. Saio de casa todos os dias sabendo que, se eu não evitar que me atropelem, não poderei contar mais nada no meu blog .#ow
No jornalismo tento, também com o mesmo cansaço, me esquivar dos julgamentos. Escutar até na sala de aula que, por mais que você tente, você será corrompido pelas mazelas do capitalismo e a bruxa do 71, também não deixa de ser um atropelo que eu também tenha que tentar me esquivar.
Na junção das duas coisas, certa vez, numa reportagem, um personagem disse ''As pessoas precisam, de uma vez por todas, entender que as regras de trânsito não são uma via de punição e sim de proteção à vida".
O mesmo, acho eu, que vale para o jornalismo. Não se render as 'punições' dos julgamentos e perseverar em sua conduta ética também não deixa de ser uma preservação, desta vez, do bom jornalismo ou do jornalismo ‘ideal’.
Geralmente penso em tudo isso escrito ai em cima paradinha num desses congestionamentos da vida. Outro dia, depois de um fulano jogar um carro em mim em um retorno, outro não esperar eu completar uma rotatória, e mais lá na frente mais um praticamente montar em minha garupa, pensei: Desisto!
“Estar” motociclista é ruim, arriscado e não é tão fácil o quanto parece pois tentam te obrigar de todas as formas – mesmo – a fazer o errado.
Mas desistir significa largar minha cinquentinha de lado e voltar a usar o bom e velho busão. Não deixaria, assim, de fazer uso do trânsito. Apenas deixaria de encará-lo de frente.
Em outros congestionamentos fico me questionando se também não existe opção de largar o que é ruim no jornalismo de lado, sem ter que deixar de fazer 'uso' dele. Isso porque, mesmo sendo também muito desgastante, ele é, independente de qualquer coisa, infinitamente gratificante.
"A natureza do jornalismo está no medo. O medo do desconhecido, que leva o homem a querer exatamente o contrário, ou seja, conhecer." (Felipe Pena)
Sabe aquela ''aguniazinha'' que temos quando algo incomoda, chama atenção? Pois é, talvez ela esteja por aqui.
sexta-feira, dezembro 20
quarta-feira, fevereiro 6
O Verde nos olhos que não é gentil
Há
muito tempo conhecido no futebol do mundo inteiro, infelizmente o hábito de
utilizar laser já chegou aos estádios piauienses. No jogo entre River e Barras,
realizado na última segunda-feira, em Teresina, membros da torcida organizada
do time da capital utilizaram o laser verde durante todo o jogo, contra o novo
treinador, o goleiro, a imprensa...
(Na foto, o torcedor direciona insistentemente o laser para os meus olhos. Foto: Náyra Macêdo)
Bem diferente do laser vermelho, um dos primeiros usados nos campos de futebol, o laser verde é 100 VEZES mais forte do que os demais. Dentre os perigos que uma pessoa exposta a ele pode correr é sofrer danos irreversíveis na retina com menos de um minuto de exposição.
Pesquisando depoimentos de fontes oficiais sobre os riscos desse artefato para dá a entender para vocês a dimensão desse perigo, “pesquei” esses:
Segundo o ex-presidente do Conselho Nacional de Oftalmologia, em entrevista ao Diário de São Paulo, “Dentro do olho há uma região da retina chamada mácula, responsável pelo foco em detalhe. Quando uma luz muito intensa chega nessa região, causa um ofuscamento muito grande e deixa uma pós-imagem. A pessoa não enxerga mais nada.”
Outro detalhe foi dado no Fantástico no final do ano passado por um especialista em retina, “O laser atinge a retina, provoca queimadura e lesão permanentes das células, que não se regeneram, levando à perda parcial ou mesmo total da visão. Os sintomas são imediatos. Os principais deles são: ofuscamento, a pessoa começa a enxergar manchas ou reflexos e tem dificuldade para adaptar a visão em ambientes escuros.”
Brevemente explicado os (graves) riscos, o que não se pode é, em meio à euforia de se comemorar e acreditar e em um futebol que “ressurge”, deixar o circo ofuscar que o futebol traz consigo péssimos exemplos , que inevitavelmente (ou não) vão chegar aqui.
Como o torcedor que utilizou o laser, identificado apenas nos minutos finais do jogo, era, segundo a polícia, uma “criança”, esta acabou não sendo retirada do estádio, tampouco o laser de sua posse.
Nesse caso, nada mais urgente, correto e necessário, que o CLUBE seja punido, assim como aconteceu com o Palmeiras, que foi multado em R$ 3 mil pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva por causa do mau uso do laser por um torcedor da sua torcida organizada.
E não, atitudes como essa não é exagero quando se fala do Piauí, até por que o laser verde já chegou a tal província, e diga-se, já tem um tempo.
Existe outra possibilidade: penalizar o RESPONSÁVEL pela criança. Isso já aconteceu no Brasil, na cidade de Belo Horizonte, e é uma das maneiras de não deixar ocorrer novamente o que aconteceu no jogo: nada.
Já chega de tanta impunidade. Eu poderia ter perdido a visão do meu olho esquerdo, e ainda posso perder, e você também.
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