sábado, setembro 22

E o Bariri ainda pulsa...


O Pelé que você vai conhecer agora foi bom de bola, mas nunca jogou profissionalmente. Amava estar em campo, mas gerindo o espetáculo, que era o que sabia fazer de melhor. “Pelé do Bariri” era casado há 23 anos, não tinha filhos, era peladeiro, amigo, íntegro, e calado, mesmo só falado de futebol. Passou os últimos 34 anos da sua vida dedicando-se completamente ao funcionamento do Centro Esportivo do Bariri, cuidando da organização dos campeonatos, onde desde que assumiu, sempre realizou uma média de quatro competições por ano.

O nome já não desassociava mais. O “Pelé do Bariri” era quem “pulsava” aquele campo, palco de grandes histórias e de atuação de grandes jogadores do futebol piauiense, e que teve por período áureo as décadas de 70, 80 até 2008. Depois disso começou a decadência, e o Bariri passou por um abalo nos últimos anos. Poucos sabem o porquê, mas a tristeza de Pelé ao ter perdido sua mãe há dois anos foi sentida no campo e refletida em campeonatos mais “vazios”. Parecia até que o maior celeiro dos grandes craques do futebol piauiense estava fadado ao esquecimento.

Recortes antigos colecionados com carinho pelo coordenador Pelé. Imagem: Náyra Macêdo.

Mas não. Este ano o Pelé já mostrava sua recuperação emocional, e junto a do Bariri.  O campo foi cedido para o Auto Esporte treinar, e a equipe que estava há 18 anos na obscuridade renasceu direto para a final do Campeonato Piauiense Sub-18 2012, e conta com garotos que ainda prometem muito.

Trazer o Bariri “de volta” este ano parecia uma questão de vida ou morte para o coordenador. Pelé estava obstinado a realizar o seu maior sonho, que era o de “gramar” o campo. Conseguiu em vida até ver o projeto ser aprovado. Parou o funcionamento do Bariri, como se para uma pulsação aguardando pela tal obra.

A pausa foi em julho, mas como nada aconteceu de lá pra cá, o coordenador não se conteve e deu “vida” novamente ao campo. O campeonato estava rolando, era meio de semana, período de definição de tabela e de últimos ajustes do campo para receber a comunidade e todos os simpatizantes do futebol amador para mais uma rodada no sábado à tarde... Mas o Bariri teve de parar novamente. Na manhã da quarta-feira (05), Pelé foi vítima de um enfarte fulminante.

O pensamento de todos era que a vida de Pelé era o Bariri, e vice-versa. E então, o que fazer? Parar? Não! O Bariri, com seus mais 5.400 m², com suas recentes conquistas de iluminação e alambrado e terreno somou à sua história intocável o legado de Pelé, que foi sua dedicação. A de viver para algo como ele viveu. Promover uma competição como se fosse a primeira, e a última. 

Luiz Alberto da Rocha faleceu aos 56 anos. O Pelé, assim conhecido por todos, cujo apelido “conquistou” ainda na adolescência, quando nas peladas na comunidade os amigos perceberam e associaram seu jeito de cabecear a bola, sua melhor qualidade em campo, à do eterno Rei Pelé, agora acompanha lá de cima a continuação de seu legado.
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O palco dos craques

Campo do Bariri, Areião, Campinho do Pelé, Centro Esportivo do Bariri, Campo Rui Lima. Assim é conhecido um dos campos mais importantes de Teresina. Lá foram revelados muitos craques, e é onde muito outros ainda estão sendo moldados.  Como um local predestinado, ou mesmo “abençoado” para os bons de bola e peladeiros, o Bariri “é como as ondas do mar, não para nunca”, assim definido em um dos recortes de jornal colecionado por seu ex-coordenador.

Ter sido palco de grandes decisões enche de orgulho a comunidade que, religiosamente comparece para acompanhar os campeonatos, que tem a tradição de homenagear em seus troféus craques, jornalistas, apoiadores e personalidades.

Das lembranças mais vivas de quem acompanha a história do Bariri sob a gestão de Pelé estão as clássicas decisões entre Cerrajão e Bariri, sempre com recorde de público. Outro fato marcante para todos foi a decisão entre São José e CSA, a qual o dirigente do São José conhecido como Cesinha faltou à final e foi suspenso por Pelé onde ficou por dois anos sem disputar jogos no local.

Dentre os craques contemporâneos dessa gestão do coordenador Pelé, estão: Batistinha (River, Flamengo e Sport), Índio (River), Jorginho (Flamengo) e Boiadeiro (Piauí). 

E na lista do grandes jogadores que por lá passaram estão nomes como o de Sima (Piauí, Sport, River, Tiradentes, Bahia), que é anterior ao Pelé, mas que não pode deixar de ser lembrando quando o assunto é Bariri, o craque revelado lá é o único jogador brasileiro que conseguiu a façanha de ser o maior artilheiro da história de três clubes.


Dentre outros que também não podem deixar de serem citados estão o Bira (Piauí, River), Nonato Leite (Corinthians), e o homenageado que dá nome ao o campo, Rui Lima, craque que passou pelo Piauí, Marília, e Juventus de São Paulo.

Para ficar de vez na história

O feito de Pelé foi grande, e homenagear sua história de vida é a pretensão de alguns daqui pra frente. A primeira delas será a tentativa de mudança do nome do Campo Rui Lima- Bariri para Centro Esportivo Luís Alberto da Rocha- Pelé, ainda este ano. 

A taça do campeonato que estava sendo realizado quando faleceu também levará o seu nome. E a Federação de Futebol Piauí também vai nomear a taça do campeão do segundo turno da Copa Piauí 2012 de “Taça Pelé do Bariri”.

Seu “Biba”, amigo de Pelé mostrando com orgulho a história do Bariri logo ao fundo. Imagem: Náyra Macêdo.

Quem está provisoriamente a cargo de continuar o trabalho de Pelé é o seu amigo “Biba”, companheiro de pelada e de trabalho desde a década de 60. Biba, que dedica o mesmo amor ao campo está à frente da elaboração de um projeto de reforma do Bariri, que vai contar com a construção de dois vestiários, grama e alambrando, e que tem um orçamento previsto entre 200 a 300 mil reais.


E justificando as palavras de Bia, “O amor pelo Bariri não acaba. Ele não pode parar”, as atividades no Campinho do Pelé retornam nesse sábado (22), com a continuação do Campeonato Quarentões do Bariri 2012.


sexta-feira, setembro 21

O que faz o badminton piauiense prosperar tanto ?


Esse texto é a primeira e até então a única matéria “especial” que já escrevi. #OWWaindaCABAÇArelevemEraem2011Escreviaerradoprapo** O contexto era a semana da entrega dos prêmios do COB aos melhores do esporte em 2011, e o Piauí estava novamente no meio. Resolvi aprofundar mais no que, até então, se falava pouco e superficialmente. Tipo “O Badminton virou febre no Piauí. Ah, que bacana!”, e nada mais.
Esse texto não tem nem um ano, e de lá pra cá muita coisa mudou. O coordenador desse projeto premiado, hoje é o Presidente da CBBd. Daquela lista de atletas ‘promessas’ já estão os melhores do país nas suas categorias. Os “melhores profissionais” da Febapi estão comandando as seleções que representam o país. 

Não é pouco! 

O esporte que mais cresce e promete no Piauí é esse. Postei o especial porque acho massa que conheçam mais a fundo sobre esse projeto que ainda vai levar o Piauí a patamares de pódio *olímpico*. #EUACREDITO



(Náyra Macêdo para o portal Meionorte.com) 15-12-2011 10:10

Badminton do Piauí eleito como melhor projeto de responsabilidade social do Brasil
Um esporte pouco conhecido que disputou e superou mais de 50 modalidades esportivas

O Badminton chegou ao Piauí há um pouco mais de seis anos, a partir de uma ideia visionária de um ex-atleta que carrega consigo a frustração de não ter sido um competidor olímpico. Em 2005, Francisco Ferraz saiu do Paraná com o objetivo de implantar o esporte no estado, e trouxe na bagagem uma série de preconceitos e descrenças que teve de enfrentar.

No primeiro momento, a intenção era massificar o esporte para torná-lo conhecido contando apenas com o apoio do governo do estado. Em poucos anos, foi possível perceber a força desse grande projeto com engajamento social, que logo mostrou a que veio. Hoje, o projeto atende a 18 núcleos que estão implantados em toda grande Teresina, encontrados nas fundações Nossa Senhora da Paz e Valter Alencar, nas escolas Joca Vieira, Eurípedes de Aguiar, IFPI, Escolão do Mocambinho e nos bairros Parque Piauí, Santo Afonso, Esplanada e no Monte Castelo. Contemplam também as cidades do interior, como Luzilândia, Madeira, Piracuruca, e em 2012 se estenderá ao município de Parnaíba, onde atuará junto com o projeto SESI- Atleta do Futuro, que será ramificado para outras localidades do estado.


Ascensão do esporte

No ano de 2010, a Federação de Badminton Piauiense realizou o primeiro Campeonato Sul-Americano de Badminton em Teresina, onde foi possível que a população tomasse contato com esse novo esporte, que teve transmissão ao vivo durante toda a competição.

Nos últimos anos alguns atletas como a Thainara Silva, Vinicius Evangelistas, Andreza Miranda e Ismael Silva, foram responsáveis pela inserção do esporte no cenário nacional e até internacional.

 O brilho de uma película

O coordenador do projeto, Francisco Ferraz compara o Badminton a uma película, onde no começo tudo é muito simples, reduzido. Considera que hoje o esporte é um "curta-metragem", que tem impacto, e que exigiu para ser o que é: mais maturidade, formação, os melhores atores e os melhores profissionais. Algo que ele acreditava desde o começo que aconteceria.

O reconhecimento do COB

As finais dos Jogos Escolares 2011, que aconteceram em outubro deste ano foram responsáveis pela homenagem honrosa que o esporte receberá dia 19 de dezembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A participação de piauienses em todos os pódios da competição atraiu o interesse do Comitê para saber de onde eles eram, e onde treinavam.

E assim, sigilosamente, o comitê esteve no final do ano analisando o projeto, visitando os núcleos, até concluir ontem, que a merecida homenagem do Comitê Olímpico Internacional viria para o projeto de responsabilidade social do badminton piauiense.

O Piauí toma conta do cenário 

Honrosamente, o Piauí ocupa pela segunda vez o cenário das premiações do COB. Em 2009, a eleição do Melhor Atleta do Ano contou a participação da Sarah Menezes, do judô, que trouxe o troféu para o estado. E em 2011 o Piauí destaca-se novamente, agora com melhor projeto de responsabilidade social, disputado com outro como Rexona Ades, Vale, entre outros.

E isso é uma prova de que o estado é uma terra fértil e que só tende a crescer quando o assunto é esporte. Para Ferraz, o Badminton conseguiu crescer 12 anos em seis, e que esta homenagem é uma consagração de um trabalho que acreditou desde o início.

A receita que deu certo

E chega o momento de todos se perguntarem porque, em tão pouco tempo, o badminton, com apenas seis anos no estado, conseguiu chegar ao patamar que outras federações passaram mais de 20 anos para alcançar, como a de judô que revelou há pouco tempo a primeira atleta olímpica do estado.

A receita do coordenador do projeto foi tentar fazer com que o atleta chegasse aonde ele não chegou, e isso de maneira que atendesse às necessidades de todos os envolvidos e não apenas os interesses pessoais. Para ele, o Piauí tem gente de conteúdo para ser campeão mundial, e que o esporte piauiense poderia está a dez anos do que é hoje.

Uma base que vale ouro

Os nomes que se destacaram nos últimos anos saíram do projeto que é focado na base. Atletas como o Lucas Alves, que está desde o começo, hoje tem pretensões olímpicas. O projeto é voltado para atletas de até 12 anos de idade, e o coordenador explica a importância de se investir nele. 

“As crianças nessa faixa aprendem a amar, a gostar do esporte novo, e isso possibilita que elas não venham a desistir lá na frente.Dois a cada dez atletas permanecem no esporte depois de certo tempo, e a intenção é que pelo menos nove, dos 18 que estão treinando atualmente, fiquem até a categoria Sub-19 de alto rendimento".

Ferraz antecipa alguns nomes e destaca as características de cada um, considerando que em um futuro breve poucos atletas no Brasil os baterão: 

Fabrício Farias, 11 anos- Tem paixão pelo esporte, é perseverante, e tem dificuldade em perder; 
Sâmia Lima, 11 anos- Muito dedicada; 
Juliana Viana, 7anos- Talento inato, já nasceu para o esporte, é empenhada e não suporta perder; 
Sânia Lima, 9 anos- Tem muito talento.

A procura da mão certa

O esporte é o principal foco de investimentos no mundo, e no Brasil, as próximas competições internacionais atenuou o processo. Não falta exemplo de que no Piauí o esporte também dá certo. O que falta, dentre outras coisas, é uma secretária com maior desenvolvimento esportivo. 

No Piauí não era pra existir somente um Lauro Filho, uma Sarah, um Lucas Alves, um Rômulo. Era pra ter muito mais atletas no cenário nacional.

A falta de gestão, dificuldades de gerenciamentos, falta de fontes de investimentos, pouca formulação de projetos, a frágil confiabilidade no esporte, o pouco incentivo das escolas particulares e do poder público, são um dos muitos fatores que geram a errônea descrença total no esporte piauiense.




sábado, julho 28

O que o piauiense tem?




Essa inquietação já existe há muuuuito tempo, mas hoje é um dia ímpar para o esporte piauiense, e eu não posso deixar de dizer, em tom de revolta que: O Piauí tem esporte SIM!

Nesse sábado teremos QUATRO atletas disputando espaço entre os melhores do mundo. Se é só no judô e no Badminton, nem me importa seu argumento besta. Isso é um fato importantíssimo para todos nós.

Hoje, Sania Valeria Lima, de apenas 11 anos vai enfrentar os Estados Unidos. Sua irmã, de 13 anos também vai enfrentar os Estados Unidos. Fabrício Farias, também de 13 anos também  enfrentará os Estados Unidos. Observem a idade deles. A promessa...

Nas Olimpíadas, já já a "Nossa" Sarah Menezes enfrentará a Romênia pra ser definitivamente a melhor do mundo. E amanhã, o picoense Rômulo Borges enfrentará o Belarus, na maior competição esportiva do mundo.

É pouco?

... Se vc pensou no complemento ''ou quer mais?'' é simples! É só enxergar que o Piauí é uma mina de novos talentos no esporte, e um celeiro de bons atletas que precisam de apoio, onde basta  enxergá-los para estes começarem a subir os degraus das suas carreiras.

No Piauí não tem esporte? Semana passada sediamos do Campeonato Mundial de Karatê. Em Setembro vamos sediar a Taça Brasil de Futsal Sub-17. Nesse mesmo mês, o Piauí enviará representante na modalidade para o Mato Grosso do Sul e Sergipe. Enfim...

Sabe o que o piauiense tem?

Se for empresário: tem a burrice de não investir;
Se for gestor público: tem a incapacidade de não formular projetos e noção de gestão;
Se for atleta: tem o espírito de vencedor de ter de enfrentar essa ''falsa'' descrença no nosso esporte, causada por estes que não o incentiva, e gera na sociedade a desconfiança de que aqui o esporte não funciona, quando na verdade, o que não funciona vocês já entenderam.

Vamos torcer pelos nossos, que hoje é dia!!

#goSarah #goFrabricio #goSania #goSamia

sexta-feira, julho 27

Qual o sabor do próprio veneno?



Nada melhor pra desempoeirar o blog do que com uma inquietação de verdade, do tipo, sabe quando você quer dizer o que pensa, sem necessariamente dá sua opinião? - Não? Pois é. Está feita a inquietação!

Nem fiz esforço pra não escrever sobre isso, por que parece que todos querem dá sua opinião e não seria diferente logo comigo. Desde que as seleções feminina e masculina de futebol estrearam nas olimpíadas, que os comentários que mais se vem, lem, escutam, é que, por exemplo, após a Globo mostrar os lances desses jogos e creditá-los, alguns dizerem que ''Pô, Globo, você não precisa disso". "Chupa, Globo". "Globo, cadê a sua hegemonia?", e enfim, todos os outros, inclusive o de vocês que estão lendo que foram compartilhados esses dias.

A Globo está provando do próprio veneno. Nos anos 80 quem brigava pela liderança no esporte era a Band e a Record. Na década seguinte a Band passou quase quinze anos como a emissora do esporte brasileiro. A história mudou quando a Globo além de ter sido pioneira em fechar direitos de transmissão aqui, ainda fez questão de valorizá-los cada vez mais, e mais. 

Mas a emissora se focou no futebol, no show, no espetáculo, e no não-jornalismo esportivo. Tanto que perdeu o leilão da transmissão dessa olimpíada de Londres, que foi vencido pela Rede Record, mas pareceu não se importar e festejou a transmissão da Taça Libertadores da América, com toda pompa da transmissão que a própria faz.

É fácil se criticar a Record, quando você fica limitado a imaginar que você não ''coloca no 10 aqui'', mas ela é a segunda maior rede de televisão do país, e deu um show de transmissão dos jogos olímpicos de inverno de Vancouver, e dos jogos panamericanos. Fato que, no sudeste, gerou/gera uma identificação da emissora como a que fala de todos os esportes. O que contraria todos os esforços (ou não) da Rede Globo, de começar essa década como a rede somente do Futebol.

Em contrapartida a esse processo da Globo, vale destacar que o canal Sportv, que é da GloboSat, se destaca não só pela quase ‘’democracia’’ em relação às transmissões desportivas, quanto ao próprio fazer jornalístico, esse que a globo nem sabe mais o que é, quando se trata de transmissões esportivas.

A maior emissora do país, que há décadas atrás acabou até com o sistema de troca de imagens, decretando morte à concorrência, hoje precisa passar pelo constrangimento visto até na expressão dos seus próprios âncoras, de agradecer o uso de imagens a quem ela proibiu e proíbe de trabalhar.

Não existe período melhor para refletirmos sobre onde começa e onde terminam os direitos dos donos desses eventos esportivos, que não são necessariamente jornalistas, mas que limitam o acesso destes ao direito ''nosso'' constitucional à informação. 

- O que é jornalismo?o que é show? Onde acaba o negócio, onde começa o interesse de todos? Quem sabe se o ''todos'' já não é mais o país do futebol? Nem precisa pensar, não é. Não somos mais tão limitados assim. 

Não é o ideal. Não é legal dizer que você simplesmente pode não colocar na Record e assistir as olimpíadas digitais pela internet, pelo Sportv, Interativo, quando ''somos'' um país com quase 200 milhões de habitantes em que menos de cinco milhões tem acesso a essas opções.

Como também AINDA não é confortável pra nós vermos a Rede Globo, que tem a excelência de ser a segunda melhor do mundo, não tratando com toda a sua grandeza do maior espetáculo esportivo mundial.

E a maior ironia disso tudo é que mesmo as Olimpíadas de Londres 2012 sendo os jogos digitais, em que temos infinitas formas de acompanhá-lo, a sensação é de que ele está tão inacessível quanto um jogo do Palmeiras pelo Brasileirão transmitido ao vivo pela Rede Globo.


quarta-feira, maio 23

O dia em que me reconheci





Conhecer pessoas. Processo natural, dinâmico, diário. Nos primeiros encontros da vida eu já fui àquela menina ‘’que parecia se achar, mas que depois se tornou gente boa’’; essa foi disparada a principal confissão sobre a primeira impressão que causei. - Ufa, ne?Que bom que eu tenho cara de nojenta, mas bem lá no fundo eu sou legal.

Mas poucas vezes sabemos o que ‘’causamos’’ (nas) pessoas depois do singelo: Prazer, Náyra!. Poucos se tornam próximos, ou amigos o suficiente para ter a coragem de lhe dizer. E foi nesse ponto que começou essa inquietação, que vai bem longe, vou logo avisando.

Quantos e quantos eu conheci no colégio, na festa, na casa do amigo, na vizinhança, na academia, no trabalho, no ônibus, na igreja, nas filas da vida. E quantos e quantos tiveram momentos de “encantamento” e de “afastamento”. Conversa vai conversa vem, descobrem que eu sou desbocada. Conversa vai conversa vem, eu sou divertida. Conversa vai conversa vem, eu sou problemática demais. Conversa vai conversa vem, eu sou hipocondríaca. Conversa vai conversa vem, eu não moro bem. Conversa vai conversa vem, eu vou ser jornalista... E por aí você vai atraindo e afastando as pessoas, que saem da sua vida da mesma maneira que chegam: sem avisar; colocando vc na mesma situação dos segundos em que antecederam o primeiro encontro: a de não significar nada.

Mas há primeiros encontros devidamente marcantes, e que podem ser considerados verdadeiros presentes da vida, já que dela o que levamos são apenas as marcas deixadas pelas pessoas, por um momentinho vivido, breve, mas especial; pelas palavras trocadas, gestos naturais, e que lhes soaram surpreendestes, enfim, não as levamos, por mais que às vezes, em uns passos da vida, desejemos ‘ter ‘ alguém.

E mesmo com essa pouca idade eu acredito que não é fácil, pelo menos não é de costume você “se ver” em alguém como espelho, não to falando de identificação, mas de vida, de, sei lá... Num desses primeiros encontros eu conheci uma mocinha, pra muitos não vai ser surpresa o local: na enfermaria de um hospital. Bom, nem precisa dizer que eu estava internada, inclusive essa foi uma das minhas últimas internações, em meados de outubro do ano passado...

A mocinha que me proporcionou um dos momentos mais angustiantes e especiais, talvez o mais especial da minha vida, até então, se chamava Nayra. Ela, assim como eu, era renal crônica, mas com um quadro infinitamente mais grave que o meu. Tinha 11 ou 12 anos, estava lá porque tinha se negado durante a vida toda a fazer seu tratamento, que era realmente dolorido.

Aquele dia era um dia D, e àquelas horas de primeiro contato talvez fossem as últimas dela. Ali ela tinha de assinar uma autorização pra que colocassem uma fístula e assim ela pudesse fazer uma cirurgia que lhe salvaria a vida, mesmo com 48% de chances de sobreviver, e ficar escrava eternamente das sessões de diálise. Se não aceitasse, ela poderia esperar as horas para ter um ataque cardíaco, que seria causado pelas taxas de alguma coisa, que eu não me recordo o que era, mas que estava no limite, por isso a urgência da assinatura, a urgência da cirurgia.

Cheguei à enfermaria em um clima nebuloso (acreditem, enfermarias são divertidas). As pessoas que lá estavam já sabiam de toda essa história, menos eu. Comecei a conversar com ela, porque a mãe dela tinha perguntando pra minha mãe qual era o meu problema, e quando as duas descobriram que as duas eram renais e que ambas se chamavam Nayra, era coincidência demais para não serem apresentadas.

Fui logo entender o problema dela, porque eu conheço o meu há apenas três anos, então fico em transe de curiosidade com essas coisas de rim. E fiquei sabendo de tudo que contei há pouco. Perguntei a ela porque, então, ela não assinava logo a autorização (a mãe poderia assinar por ela, mas tinha se recusado porque achava que a filha deveria ser a responsável por escolher seguir lutando contra aquela doença ou...). Ela me disse que não ia assinar, porque a fistula deixaria seu pescoço feio, com as veias grossas, e que isso seria motivo para o namoradinho dela deixar ela. 

Pode até parecer futilidade pra quem não se colocar na idade dela e no contexto do que é o primeiro amor, o mais cego, o mais doentio e talvez o menos saudável de nossas vidas. Argumentei muito com ela sobre isso, mas ali eu vi que não teria sucesso. Argumentei sobre a dor da mãe que estava sem forças até para chorar porque ali poderia acabar uma luta de 12 anos, pela escolha dela, mas ela disse que se morresse seria melhor para ela, que assim poderia descansar. Argumentei sobre a família (acreditem), mas ela tinha um pai que não acreditava na gravidade do problema, e o restante dos parentes não queriam saber dela. Argumentei, argumentei... e nada. Ela e todos ali já estavam desacreditados demais.

E era aquele fluxo de enfermeiros aplicando medicação nela, porque ela teria de estar ‘’no ponto’’ pra cirurgia imediata, caso dissesse o sim. Então, resolvi argumentar sobre sonhos, contanto para ela um pouco da minha história, que eu, assim como ela , também tinha passado parte da minha vida num hospital, pedindo diariamente a Deus pra que me levasse logo dessa vida sem sentido, porque, afinal de contas, quando vc é criança, adolescente não se tem um propósito definido e é na fase em que todos estão ‘’vivendo, brincando’’ e vc está lá no hospital, naqueles dias que não escurecem, recebendo agulhadas sem fim, esperando a hora de ficar bom pra descansar em casa, esperar outra crise e começar tudo novamente. É cansativo, é desestimulante. Foi desestimulante pra mim durante 19 anos...

Perguntei qual era o sonho profissional dela, ela tinha um, mas não lembro qual... E nessa conversa que já durava quase duas horas ela já se sentia à vontade pra me perguntar as coisas, (algo que me fascina, que é ‘’arrancar’’ palavras de pessoas que não falam). Ela disse que me achava bonita. E eu disse que beleza mesmo está na força da gente, que ela não precisava desistir da vida por medo de não ter alguém. Se hoje ela já era completamente sozinha, e só com os sonhos realizados que ela seria verdadeiramente feliz, seria uma profissional, inteligente, que poderia ter o namoradinho que escolhesse. – Ela ficou pensativa. Amoleceu. Vi que ela ali o ponto do tudo ou nada. Nada a convencia. Nada! Nem amor de mãe, que olhava pra ela como se olha um filho indo embora, e olhava pra mim como alguém que por algum motivo estava ali para dizer aquelas coisas para ela. Pra mim não era nada disso, só era angustiante, desesperador ver uma pessoa linda, uma criança, cheia de sonhos, vivendo uma história que eu conheço, se entregando não por não ter forças, mas por não ver motivos em continuar.

Conversa vai conversa vem e eu pedi pra ela assinar. Assinar para ela ver a mãe parar de chorar. Assinar pra poder realizar o sonho de ser acho que professora, se não me engano. Assinar porque a vida vale a pena pelos segundo felizes.

Disse a ela que o que importava na vida, e o que ela ia levar pra sempre era as “cosquinhas” que a mãe fazia nela, era abraço do namoradinho, esses momentos em que ela chorava me contando, quando eu perguntei quais eram as lembranças boas que ela tinha, e pedi pra que por elas, ela assinasse.

Ela saiu da enfermaria levando o soro dizendo que ia ao banheiro e sumiu. Corre enfermeiro pra cá, mãe pra lá, médico pra não sei onde, ninguém achava. A Nayra já conhecia o hospital, assim como eu também, e já sabia qual era o leito que ela ficaria após a cirurgia. E ela estava lá, sentadinha na cama, desmanchando em lágrimas, dizendo que ia operar. Os médicos agilizaram os papéis e ela assinou.

Eu só podia sair da enfermaria em cadeira de rodas (também não se espantem, isso é de praxe), e de repente um enfermeiro chegou com a minha alta (eu podia ficar continuando o tratamento em casa), e junto ele levou uma cadeira pra me levar até o taxi fora do hospital, pensava eu, mas ele me levou no leito dela.

Ela já estava com a batinha pronta pra operar. Ela olhou pra mim como quem agradece sem saber o que dizer. Eu disse que tava indo, mas ia orar pra que tudo desse certo e que ia dar. A mãe dela já não se conteve, e me abraçou chorando, mas disse à mamãe que eu tinha sido abençoada por estar ali e ter salvado a vida da filha dela... só soube disso quando já estava no táxi.

Até hoje não sei se a Náyra sobreviveu, como foi àquela noite, se aquele primeiro encontro foi tão significante e transformador pra ela, assim como foi pra mim. Prefiro pensar que ela está muito bem, saudável, estudando e correndo atrás de realizar seus sonhos.

É bom pensar que esses primeiros encontros não são presentes pra vida, que eles são a própria vida da gente, porque se viva ela estiver, também levará para sempre esse momento, assim como eu...  do dia em que me reconheci.


sexta-feira, janeiro 20

E o "Verdão" fica como?


Pra quem não sabe, sou ex-atleta, e comecei a jogar no Verdão em 2000. Parei de jogar lá quando todas as atividades esportivas foram praticamente extintas por falta de estrutura adequada. Em 2006 joguei meu último campeonato lá, foi lindo, na verdade, qualquer jogo no verdão emociona, até uma pelada, não sei dizer por que, mas conheço muita gente que sente o mesmo. Só fui retornar ao Verdão cinco anos depois pra fazer esse trabalho acadêmico,que vcs vão já ler e o fiz numa manhã toda engolindo o choro. Minhas colegas de quadra estavam lá e choraram, meus ex-treinadores choraram, presidentes de federações choraram, e muitos ex-atletas choraram.

Aquela edição da Olimpiauí, com aquela estrutura bem montadinha, com aquela cobertura dada ao esporte, foi um dia memorável e invejado por todos que deixaram escorrer uma lágrima ao imaginar "o quanto teria sido bom se na sua época o Verdão fosse daquele jeito..". Muitos, como eu, imaginaram algo como "agora sim, agora o esporte ganha atenção, espaço, agora vai...". Mas quase um ano depois, ao de retornar lá e vê-lo sem a maquiagem feita na e para aquele dia, só bateu a tristeza.

Aquelas goteiras, quem não conhece? Estão lá ainda!. Aquele piso inadequado? Está lá ainda!. Aqueles banheiros.. ah! aqueles banheiros, meu Senhor, com aquela água que topava no joelho..estão lá ainda!
...
O texto seguinte foi um trabalho acadêmico, da disciplina jornalismo especializado em economia, fiz em meados de maio do ano passado, estão, está um pouco fora do contexto, vou postar aqui, pra vcs entenderem um pouco do que eu senti ao ver o Verdão naquele dia, lindo, e ter falado com tantas pessoas que prometem do tamanho da sua influência, e quase um ano depois ver que nada mudou, e que outra maquiagem proporcional aos mais de 6 milhões liberados para a reforma, será feita nessa próxima semana, para o jogo entre a Seleção Brasileira de Futsal e o Flamengo-PI!.
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Náyra Macêdo

Esporte gera recursos para o Estado do Piauí

Verbas visam investimentos em atletas para as Olimpíadas de 2016

Novos projetos para o desenvolvimento do esporte de base no Piauí estão sendo apresentados. O pioneiro é a primeira edição da “Olimpiauí’’, competição destinada à modalidades como o judô, tênis, vôlei, futsal, atletismo, entre outras, que contou com a participação de 2.000 atletas esse ano.

Essa iniciativa tem por objetivo formar atletas competitivos para a Olimpíada de 2016, que acontecerá no Brasil. Por ser a principal competição do mundo, com atletas de alto nível, essa busca por potencias aqui começa na hora certa. Por isso, o Piauí é considerado exemplo aos demais estados em relação ao apoio ao esporte de base.

Para acontecer essa competição não foi fácil. Falta na capital centro de treinamentos; Às equipes faltam materiais para competição, entre outros obstáculos. Graças à parceria da TV Cidade Verde com a iniciativa privada, e a organização das federações desportivas, foi possível a reforma do principal ginásio poliesportivo da capital, o “Verdão”, local que no passado foi palco de grandes apresentações esportivas e culturais.

Os investimentos no “Verdão” feitos para esse evento, segundo José Gomes, secretário de esportes do Estado, foi apenas o começo do muito que estar por vir. “Há projetos de capitalização de recursos que estão no ministério dos esportes e no BNDES, que irão equipar o ginásio com acústicas e quadras removíveis. O primeiro piso também será reformado, melhorando a infra-estrutura para as federações.”

Um exemplo de empresa genuinamente piauiense e que vêm mostrando interesse em apoiar a cultura e o esporte é o Grupo Carvalho. “O Carvalho já vem fazendo uma série de investimento no esporte através da Lei Ruanet. Tudo com o objetivo de, a pequeno prazo, levar o nome do esporte e de atletas piauienses para serem reconhecidos no mundo inteiro”, justifica Luís Botelho, diretor de marketing do grupo.

O Governo do Estado também demonstra preocupação com o futuro desses atletas, garantindo que, até 2016, muitas parcerias serão feitas. “É prioridade do Governo, estamos trabalhando a modernização do esporte no Piauí, na infra-estrutura. Os projetos para o “Verdão” é apenas um passo inicial, uma antecipação de nossa meta. O Governo mais o BNDES irão reformar o “Verdão”, e construir outras praças de esportes por zonas. Há um projeto inicial junto com o Ministro dos Esportes para trabalhar o Campus da Universidade Estadual, e outro na zona sul, no Parque Piauí. Há uma sinalização de que essa parceria vai ser eficaz”, diz Wilson Martins.

O idealizador do projeto “Olimpiauí”, Jesus Tjara, revela quais os objetivos desta iniciativa e que recursos esta e as futuras competições esportivas trarão para o Estado. “O esporte desperta o interesse do grande púbico, o que chama atenção da mídia e dos patrocinadores, o chamado Marketing Esportivo. E esse interesse da iniciativa privada tem gerado recursos necessários para o crescimento do esporte. Então, daqui até 2016 com certeza, no Brasil e no Piauí, a movimentação da economia será voltada para o esporte. A engrenagem começa a girar agora. É preciso que nós do Piauí saibamos apresentar bons projetos, boas idéias, para que tenha a receptividade e a credibilidade junto aos órgãos públicos federais, especialmente do Ministério dos Esportes. Se isso acontecer, com certeza nossa economia movimentará bastante, trazendo mais recursos para o Piauí”, conclui Jesus Tajra.

“Trabalhar o esporte, no geral, tem avaliações positivas. Quando se tem um projeto inicial como esse dando certo, o interesse dos investidores aumenta. Hoje o empresário do Estado ver que há uma organização por trás de tudo, o que é uma garantia do aproveitamento do dinheiro investido”, analisa o organizador do projeto, professor Denis Queiroz. Disse também que outros setores serão afetados com a movimentação do esporte no Piauí nos próximos anos.

Como também treinador da principal equipe de Judô, conhecido por ser o único esporte, hoje no estado, que tem representação olímpica com a atleta Sarah Menezes, aproveitou a oportunidade do evento e trouxe a seletiva Sulamericana de judô, e explica: “A seletiva Sulamericana contou com 464 pessoas inscritas, todas estão em hotéis, é dinheiro circulando, e isso é só uma mostra. Nesses cinco, seis anos, esses investimentos vão atingir desde os ambulantes aos grandes empresários e aos que estão no apoio. ’’

O professor aproveitou para falar sobre a primeira prova concreta que os investimentos serão tão eficazes assim, que é a oportunidade da capital ser sede das Olimpíadas Escolares Brasileiras, em 2012, que por ser uma competição nacional, traz todos os desafios inerentes a ela, e que hoje, um ano antes, sabe-se que a cidade não suportaria um evento de tal porte. “A Olimpíada Escolar é um desafio para a rede hoteleira, por que não temos o suficiente. Então haverá investimentos pra o Estado ter estrutura para receber essas pessoas. Os empresários estão vendo o retorno, de lucro, de mídia, associados à eventos organizados, de sucessos e a algo que é bom como o esporte, isso está atraindo sim muitos investidores”, finaliza Denis.




terça-feira, janeiro 10

O #contraoaumento que resultou no #massacrethe



Bom, como a chata que sou, costumo não dar ouvidos a quem opina sobre o que não conhece, e me seguro para não sair falando sobre o que eu não tenho um pingo de argumento. Por isso, to há dias segurando as palavras, pois não acharia justo superficializar sobre algo tão importante quanto o que está sendo o movimento #contraoaumento. Ontem e hoje consegui ir participar. Vibrei!. Queria muito poder estar lá, ver, viver, debater com quem estava fazendo esse movimento desde o começo.

Até agora estou sentindo as “sensações” por quais passei na Frei Serafim nesse dia histórico. Devo dizer que hoje foi um dia pateticamente inacreditável. Não fui pra lá a trabalho, não fui de certa forma, manifestar também. Fui por curiosidade. Fui pra ver como a galera se reunia... estava realmente ansiosa por esse dia.

Só que o que vi foi informação demais pra mim. Não estava preparada para ver tanta covardia- logo eu que não consigo ver violência nos noticiários- tive que ver a olhos nus, uma tropa de choque indo de encontro aos manifestantes que estavam, desde o início, pacificamente protestando... Até as palavras de ordem dos estudantes, hoje, foram trocadas por uma caminhada em silêncio, para no final cantarem juntos o hino deste país e desta terra, num cenário à luz de velas.

Era bonito vê-los ali. Era feio, era estranho, era incoerente ver tantos policiais ali. Era bonito ver a população batendo palmas aos manifestantes. Era mais bonito ainda ver a indignação dessa população, que pôde ver ali tudo que foi omitido pela mídia.

Era, era, era... tudo deixou de ser qualquer coisa (que vazio, eu sei!), depois que, por ordem da autoridade máxima do Estado, todos que estavam lá puderam ver e sentir, relembrar, como ouvi de muitos, o que foi a covardia, a barbaridade, a injustificada ação da polícia como um todo, nesse sétimo dia de protesto.

Eu vi uma situação calma mudar drasticamente, e como nunca tinha passado por nada parecido, me senti um ser estranho, me senti de mãos atadas. Mas elas não estavam, então as usei para pôr na cabeça e, no ato de desespero, esperar para ver as pessoas que eu tanto gosto, depois de terem sido “engolidas” por “aquilo” de bomba, de tiros, de todos os gases, de gritos, de gritos... Engoli o choro, e fui procurar os amigos. 

Estavam quase todos bem. Mas a violência vivida ali foi sentida por todos. Aquele cabelo puxado doeu em mim. Aquela bala de borracha à queima roupa, eu senti, como quem estava lá também sentiu, junto com todo aquele misto de revolta, indignação, de inquietação, de choque! -Que dia! Todos sentimos... Na verdade, sentimos muito por tudo isso ter acontecido.

Não sei bem o que é definir um dia histórico. Acho que hoje foi um, por que, numa cena que pareceu existir para pôr fim a todo o movimento, às manifestações, na verdade foi um cenário antagônico, a polícia-entidade, perdeu total respeito e credibilidade perante a população. A população agora se indigna com a mídia que mostra o que “só ela viu” (parece que a mídia esquece que seu produto é consumido pela população, e que esse, quando vem “estragado” como qualquer outro, perde seu valor). Vi uma oposição calada. 

Todo mundo sabe por que nada se diz. E todo mundo sabe onde isso se resolve. Eu espero, de verdade, que esse protesto continue, mas continue para sempre na cabeça de cada um, como uma lembrança ao intolerável. E que, a partir desse dia histórico #massacrethe, todos aprendam a usar sua melhor arma: o voto, pra que nunca mais tenhamos Elmanos, Wilsons, e empresários, e coroneis encardindo a história da nossa cidade.

Fica aqui solidariedade às famílias que estão com seus filhos detidos e aos verdadeiros guerreiros que encararam essa situação de frente, e que, de alguma forma, estão mal por isso.

Imagem: Neyla Monteiro

terça-feira, janeiro 3

Uma união que não veio para somar



Quem consegue pensar no futebol brasileiro sem lembrar das torcidas organizadas? E quem consegue lembrar das torcidas organizadas sem pensar em violência? Violência essa autointitulada nos seus próprios nomes, como a Sangue Jovem -Santos, a Máfia Azul-MG, a Ala do Terror- CE e Inferno Verde, em Brasília.

Essa “identidade” também está refletida nas reportagens esportivas , onde só o que encontramos são metáforas do esporte com o crime, que mais servem para o caderno de polícia. E com esses erros grosseiros, os jornalistas passaram a incentivar as inúmeras formas de violência, como ao chamar um jogador de matador e antecipar um “quebra pau” caso equipe x não vença, ou contrato y não seja fechado.

E, como num circulo de equívocos, a imprensa que não critica a banalização da violência no esporte, agora mostra e incentiva um “casamento” que já gera contratempos: o Futebol + o MMA. Para começar por que poucos jornalistas sabem relatar corretamente sobre os eventos de lutas e os confrontos, como esporte, e disso, temos diariamente a distorção do que é o esporte MMA para quem não conhece.

Não que eu queria aqui “prever” que depois dos contratos fechados de lutadores de renome, como o José Aldo, pelo Flamengo, e talvez o Sonnen com o Palmeiras, teremos uma avalanche de notícias desastrosas, onde não irão faltar os paralelos entre o que acontece em campo com o que rola no octógono, em que a mídia vai se deliciar com todos aqueles termos desnecessários e que empobrecem o conteúdo do jornalismo esportivo no Brasil, já ditos anteriormente.

A imprensa que noticia o “máximo” que foi o Sonnen “arrebentar” um boneco para provocar a ira da torcida adversária (no futebol), torcida essa que contabiliza inúmeros processos criminais, é a mídia que precisa mais desse espetáculo, do que do futebol, do MMA e vice-versa. E por isso não é de se estranhar os erros de abordagem e de cobertura de ambos os esportes, tão repetitivos que já estão acomodados tanto para os olhos de quem vê, como para os de quem faz.

Prefiro dizer, que em vez de um tiro no pé, isso é um gol contra o jornalismo esportivo.