Há
muito tempo conhecido no futebol do mundo inteiro, infelizmente o hábito de
utilizar laser já chegou aos estádios piauienses. No jogo entre River e Barras,
realizado na última segunda-feira, em Teresina, membros da torcida organizada
do time da capital utilizaram o laser verde durante todo o jogo, contra o novo
treinador, o goleiro, a imprensa...
(Na foto, o torcedor direciona insistentemente o laser para os meus olhos. Foto: Náyra Macêdo)
Bem diferente do laser vermelho, um dos primeiros usados nos campos de futebol, o laser verde é 100 VEZES mais forte do que os demais. Dentre os perigos que uma pessoa exposta a ele pode correr é sofrer danos irreversíveis na retina com menos de um minuto de exposição.
Pesquisando depoimentos de fontes oficiais sobre os riscos desse artefato para dá a entender para vocês a dimensão desse perigo, “pesquei” esses:
Segundo o ex-presidente do Conselho Nacional de Oftalmologia, em entrevista ao Diário de São Paulo, “Dentro do olho há uma região da retina chamada mácula, responsável pelo foco em detalhe. Quando uma luz muito intensa chega nessa região, causa um ofuscamento muito grande e deixa uma pós-imagem. A pessoa não enxerga mais nada.”
Outro detalhe foi dado no Fantástico no final do ano passado por um especialista em retina, “O laser atinge a retina, provoca queimadura e lesão permanentes das células, que não se regeneram, levando à perda parcial ou mesmo total da visão. Os sintomas são imediatos. Os principais deles são: ofuscamento, a pessoa começa a enxergar manchas ou reflexos e tem dificuldade para adaptar a visão em ambientes escuros.”
Brevemente explicado os (graves) riscos, o que não se pode é, em meio à euforia de se comemorar e acreditar e em um futebol que “ressurge”, deixar o circo ofuscar que o futebol traz consigo péssimos exemplos , que inevitavelmente (ou não) vão chegar aqui.
Como o torcedor que utilizou o laser, identificado apenas nos minutos finais do jogo, era, segundo a polícia, uma “criança”, esta acabou não sendo retirada do estádio, tampouco o laser de sua posse.
Nesse caso, nada mais urgente, correto e necessário, que o CLUBE seja punido, assim como aconteceu com o Palmeiras, que foi multado em R$ 3 mil pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva por causa do mau uso do laser por um torcedor da sua torcida organizada.
E não, atitudes como essa não é exagero quando se fala do Piauí, até por que o laser verde já chegou a tal província, e diga-se, já tem um tempo.
Existe outra possibilidade: penalizar o RESPONSÁVEL pela criança. Isso já aconteceu no Brasil, na cidade de Belo Horizonte, e é uma das maneiras de não deixar ocorrer novamente o que aconteceu no jogo: nada.
Já chega de tanta impunidade. Eu poderia ter perdido a visão do meu olho esquerdo, e ainda posso perder, e você também.
Belo texto Nayra, o futuro do jornalismo piauiense está em suas mãos
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