sábado, novembro 5

E chega o momento de Repensar


Mexendo nos arquivos do blog do Ricardo Setti vi algumas campanhas publicitárias de outros países feitas para combater o crescente aumento de mortes por acidentes de trânsito nesses locais.

Coincidentemente no dia seguinte saiu essa notícia http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/998748-transito-mata-mais-de-40-mil-e-bate-recorde.shtml essa triste estatística do nosso país... E pronto! Fez-se essa inquietação. Estou a dias pensando, querendo trocar com outras pessoas minha opinião, querendo ouvi-las, pra ver se pelo menos minha angustia diminui.

Fiz uma experiência no meu facebook, postei o vídeo de uma das campanhas e fiz um microtexto um tanto quanto chato, isso foi numa sexta-feira à noite, dia mais típico para as pessoas misturarem álcool com direção, impossível. Eis que tive uma resposta até então inesperada: ninguém curtiu, e uma pessoa compartilhou num universo de quase mil.

Pronto, fez-se mais inquietação...

Conclui que a verdade é que ninguém gosta de um dedo na ferida, nem que este seja para curá-la. Ninguém quer uma pessoa dizendo e apontando o quanto você é ou está sendo irresponsável por beber e dirigir. Ninguém quer ver a carnificina da sua própria atitude...

Coincidentemente, no dia seguinte, tive uma aula sobre telenovelas, e não pude deixar de dar minha opinião, muito mais esperançosa que útil, mas fui repreendida brevemente pela professora. Disse apenas, que dentro daquela discussão de novela ser o retrato da vida, um desses retratos é mostrado bem longe da realidade.

Pergunto-me por que ainda as telenovelas tratam o acidente no trânsito como algo advindo de uma discussão de família, de um trauma, mas nunca como uma atitude sem nenhum condicionante anterior. Por que não mostrar nos retratos de nossas vidas cotidianamente nos entretendo, o fato como ele é? Claro que a resposta eu já imaginava e minha professora fez questão de reiterá-la: não é de interesse do público, a novela, apesar de ser retrato da vida, continua sendo entretenimento, e entretenimento busca apenas agradar o publico.

Mas fui mais longe, e quis saber se... Se chegará o dia que as pessoas não se incomodarão com uma cena de uma pobre menina rica que causou um acidente, mas ficou apenas tetraplégica e ainda constituiu uma família e teve um final feliz... Pergunto-me se as pessoas não vão um dia se questionar: ei, mas, espera ai, não é assim que acontece, meu filho, irmão, marido, mãe sofreram um acidente e morreram, e mataram e duas famílias foram destruídas...

Não me sinto radical em dizer isso, muito menos ‘revolts’. Só acho, pra concluir, que, sabe quando você teve que endurecer com seu filho desobediente para andar na linha? Pois é assim que eu acho que esse assunto deve ser tratado.

Não adianta pensarmos na solução pra isso partindo de baixo pra cima, achando que o sistema vai melhorar, pode até acontecer, mas não com a urgência que precisamos. Temos que usar a mídia, os canais de áudio-visual, para chocar, chocar e chocar. Causar sentimentos que beirem sempre o arrependimento, a lembrança, e principalmente o tormento, pra que as pessoas sintam um constrangimento necessário antes de praticar tal ato.

Um comentário:

  1. Sou crítico e muito chato com meus amigos quanto a isso...não me importo nem um pouco, faço questão de ser chato nesses casos.

    Fui mostrar aquele link que tu postou e sabe quantas pessoas quiseram dar uma olhada? NENHUMA!

    Enfim.. demorou pra atualizar, mas valeu a pena.

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