terça-feira, janeiro 10

O #contraoaumento que resultou no #massacrethe



Bom, como a chata que sou, costumo não dar ouvidos a quem opina sobre o que não conhece, e me seguro para não sair falando sobre o que eu não tenho um pingo de argumento. Por isso, to há dias segurando as palavras, pois não acharia justo superficializar sobre algo tão importante quanto o que está sendo o movimento #contraoaumento. Ontem e hoje consegui ir participar. Vibrei!. Queria muito poder estar lá, ver, viver, debater com quem estava fazendo esse movimento desde o começo.

Até agora estou sentindo as “sensações” por quais passei na Frei Serafim nesse dia histórico. Devo dizer que hoje foi um dia pateticamente inacreditável. Não fui pra lá a trabalho, não fui de certa forma, manifestar também. Fui por curiosidade. Fui pra ver como a galera se reunia... estava realmente ansiosa por esse dia.

Só que o que vi foi informação demais pra mim. Não estava preparada para ver tanta covardia- logo eu que não consigo ver violência nos noticiários- tive que ver a olhos nus, uma tropa de choque indo de encontro aos manifestantes que estavam, desde o início, pacificamente protestando... Até as palavras de ordem dos estudantes, hoje, foram trocadas por uma caminhada em silêncio, para no final cantarem juntos o hino deste país e desta terra, num cenário à luz de velas.

Era bonito vê-los ali. Era feio, era estranho, era incoerente ver tantos policiais ali. Era bonito ver a população batendo palmas aos manifestantes. Era mais bonito ainda ver a indignação dessa população, que pôde ver ali tudo que foi omitido pela mídia.

Era, era, era... tudo deixou de ser qualquer coisa (que vazio, eu sei!), depois que, por ordem da autoridade máxima do Estado, todos que estavam lá puderam ver e sentir, relembrar, como ouvi de muitos, o que foi a covardia, a barbaridade, a injustificada ação da polícia como um todo, nesse sétimo dia de protesto.

Eu vi uma situação calma mudar drasticamente, e como nunca tinha passado por nada parecido, me senti um ser estranho, me senti de mãos atadas. Mas elas não estavam, então as usei para pôr na cabeça e, no ato de desespero, esperar para ver as pessoas que eu tanto gosto, depois de terem sido “engolidas” por “aquilo” de bomba, de tiros, de todos os gases, de gritos, de gritos... Engoli o choro, e fui procurar os amigos. 

Estavam quase todos bem. Mas a violência vivida ali foi sentida por todos. Aquele cabelo puxado doeu em mim. Aquela bala de borracha à queima roupa, eu senti, como quem estava lá também sentiu, junto com todo aquele misto de revolta, indignação, de inquietação, de choque! -Que dia! Todos sentimos... Na verdade, sentimos muito por tudo isso ter acontecido.

Não sei bem o que é definir um dia histórico. Acho que hoje foi um, por que, numa cena que pareceu existir para pôr fim a todo o movimento, às manifestações, na verdade foi um cenário antagônico, a polícia-entidade, perdeu total respeito e credibilidade perante a população. A população agora se indigna com a mídia que mostra o que “só ela viu” (parece que a mídia esquece que seu produto é consumido pela população, e que esse, quando vem “estragado” como qualquer outro, perde seu valor). Vi uma oposição calada. 

Todo mundo sabe por que nada se diz. E todo mundo sabe onde isso se resolve. Eu espero, de verdade, que esse protesto continue, mas continue para sempre na cabeça de cada um, como uma lembrança ao intolerável. E que, a partir desse dia histórico #massacrethe, todos aprendam a usar sua melhor arma: o voto, pra que nunca mais tenhamos Elmanos, Wilsons, e empresários, e coroneis encardindo a história da nossa cidade.

Fica aqui solidariedade às famílias que estão com seus filhos detidos e aos verdadeiros guerreiros que encararam essa situação de frente, e que, de alguma forma, estão mal por isso.

Imagem: Neyla Monteiro

2 comentários:

  1. Um texto bonito, que expressa o sentimento de quem está lá no meio da manifestação, e até de quem não está, mas entende e apóia a causa dos estudantes e da população que não aguenta mais a omissão do prefeito e dos vereadores.
    Teresina há tempos suporta abusos dos políticos, mas agora, é diferente. A consciência de algumas pessoas, e as redes sociais, ajudam a não deixar que verdades sejam encobertas, e que se aceite tudo calado.
    Parabéns pelo texto lúcido, e pela escolha da foto tirada pela Neyla.

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  2. (amiga/prima da Vera)

    o texto mais lindo que li e que parece traduzir tudo o que eu senti hoje vendo as noticias sobre o manifesto

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