
Quem consegue pensar no futebol brasileiro sem lembrar das torcidas organizadas? E quem consegue lembrar das torcidas organizadas sem pensar em violência? Violência essa autointitulada nos seus próprios nomes, como a Sangue Jovem -Santos, a Máfia Azul-MG, a Ala do Terror- CE e Inferno Verde, em Brasília.
Essa “identidade” também está refletida nas reportagens esportivas , onde só o que encontramos são metáforas do esporte com o crime, que mais servem para o caderno de polícia. E com esses erros grosseiros, os jornalistas passaram a incentivar as inúmeras formas de violência, como ao chamar um jogador de matador e antecipar um “quebra pau” caso equipe x não vença, ou contrato y não seja fechado.
E, como num circulo de equívocos, a imprensa que não critica a banalização da violência no esporte, agora mostra e incentiva um “casamento” que já gera contratempos: o Futebol + o MMA. Para começar por que poucos jornalistas sabem relatar corretamente sobre os eventos de lutas e os confrontos, como esporte, e disso, temos diariamente a distorção do que é o esporte MMA para quem não conhece.
Não que eu queria aqui “prever” que depois dos contratos fechados de lutadores de renome, como o José Aldo, pelo Flamengo, e talvez o Sonnen com o Palmeiras, teremos uma avalanche de notícias desastrosas, onde não irão faltar os paralelos entre o que acontece em campo com o que rola no octógono, em que a mídia vai se deliciar com todos aqueles termos desnecessários e que empobrecem o conteúdo do jornalismo esportivo no Brasil, já ditos anteriormente.
A imprensa que noticia o “máximo” que foi o Sonnen “arrebentar” um boneco para provocar a ira da torcida adversária (no futebol), torcida essa que contabiliza inúmeros processos criminais, é a mídia que precisa mais desse espetáculo, do que do futebol, do MMA e vice-versa. E por isso não é de se estranhar os erros de abordagem e de cobertura de ambos os esportes, tão repetitivos que já estão acomodados tanto para os olhos de quem vê, como para os de quem faz.
Prefiro dizer, que em vez de um tiro no pé, isso é um gol contra o jornalismo esportivo.
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